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A fitoterapia premiada pela Natiris

fitoterapia

O prémio Natiris, instituído pela empresa que o designa, desde 1998, consagrou mais um ano o empenho e interesse manifestado na área da fitoterapia (plantas medicinais), por alunos finalistas e recém-licenciados em farmácia.

A pretensão de estimular e desenvolver a área da fitoterapia está na base da criação do prémio Natiris, que introduz igualmente um cunho de originalidade, uma vez que é o único direccionado a esta área atribuído em Portugal.
A Natiris procedeu à entrega do prémio no dia 29 de Outubro, no Centro Cultural de Belém, sendo o júri constituído por prestigiados professores das Faculdades de Farmácia do Porto, Lisboa e Coimbra. Representando o Porto esteve Rosa Seabra, Lisboa, Elsa Gomes, e Coimbra, Proença da Cunha. Esta ligação Empresa/Universidade representa igualmente a valorização que a Natiris atribui à criação deste prémio.
A Natiris nasceu em 1971 de uma estrutura que daria origem ao conjunto de empresas que hoje integram o grupo, participando nas áreas de produção, distribuição e venda de produtos naturais para além de ser líder no sector de distribuição, com uma ampla oferta de mais de 600 produtos. De acordo com o director técnico, Nélson Tavares, a politica da empresa baseia-se precisamente na oferta de inúmeros produtos que apresentam parâmetros de elevado nível qualitativo, sendo preocupação central cuidar de toda a identificação do produto desde a sua composição, propriedades físicas, químicas e biológicas assim como o processo de fabrico.
Quando se colocou a questão de como perspectiva o futuro nesta área em Portugal, defende o crescente interesse manifestado pela fitoterapia na maioria dos países industrializados, impondo uma certa inevitabilidade no percurso português. Reforça esta ideia alegando já existir regulamentação sobre qualidade, segurança e eficácia do uso de plantas medicinais. « Uma avaliação do uso tradicional das plantas com fins terapêuticos, os novos estudos sobre a sua eficácia e segurança potenciam a generalização da sua utilização». Nesta linha de mudança, foi intenção da Natiris implementar um prémio que estimule a investigação nesta área. E embora o concurso fosse lançado para duas categorias distintas, um dirigido a alunos finalistas do curso de Farmácia e outro a recém-licenciados da mesma área, este ano os premiados foram somente alunos finalistas em período de estágio curricular. Este ano o Prémio Natiris consagrou no primeiro lugar um trabalho de pesquiza sobre os múltiplos efeitos terapêuticos do Aloé vera, elaborado por Paula Gomes e Tânia Teixeira, ambas da faculdade de Farmácia de Lisboa, e o segundo lugar contemplou a eficácia que a planta Rhamnus purshiana pode ter no funcionamento do aparelho intestinal como laxativo natural, eliminando maiores níveis de toxinas do organismo, investigação leva a cabo por Ana Quevedo da Faculdade do Porto.

 
A fitoterapia não é um conceito novo na prática médica.

 

Não se pode dizer que a fitoterapia, como forma de tratamento de algumas doenças, utilizando plantas medicinais, seja um contributo recente na prática medica. Quando os homens começaram a usar sistemas formais de escrita, documentaram a utilização de plantas medicinaise um exemplo representativo desse facto é a descoberta de papiros egipcios que datam de 1500 a.C., onde se dá conta do uso destas plantas para fins curativos . Na Europa Dioscorides publica no primeiro século d.C., De Matéria Médica, onde está inscrita a utilização de apróximadamente 600 plantas medicinais.
Com o intercâmbio  cultural que se estabeleceu nas rotas de comercialização, as civilizações conheceram a diversidade de especies de plantas e os seus diferentes atributos, enriquecendo as formas de terapias.
Nos finais do século XVIII, médicos dos EUA aplicavam já os seus conhecimentos de fisiologia e patologia combinados com o saber tradicional de uso de plantas medicinais.
Actualmente, e a nível europeu, a Alemanha lidera o processo de integração desta prática como terapia complementar à medicina convencional. O seu consumo tem igualmente crescido na França, Reino Unido, Espanha e Holanda.
Generalizam-se ensaios clínicos com plantas medicinais de acordo com rigorosos padrões científicos de controlo que sustentam a segurança e eficácia nas suas preparações e analisam-se os preparados, a sua composição química para determinar a actividade específica e detectar possíveis toxicidades. A fitoterapia tem ganho um espaço considerável no tratamento de algumas doenças crónicas, nas chamadas doenças da civilização e em medicina preventiva.

 

Entrevista 1º Prémio
Paula Gomes e Tânia Teixeira, Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa

 

Offarm – Como surgiu a ideia de participar nesta iniciativa?

 

R. - Surgiram cartazes expostos na Universidade, o que nos suscitou uma certa curiosidade, não é frequente haver projectos que estimulem os alunos à investigação nesta ou em qualquer outra área. São quase sempre destinados a bolseiros e as candidaturas são muito restitivas, inibindo a participação. São assim poucas as iniciativas abertas à criatividade dos estudantes.
Por outro lado a pesquiza exigida era de cariz bibliográfico, o que nos permitia conciliar com os estudo.

Offarm –  Qual foi o critério que tiveram na apreciação do tema escolhido?

R.- Sendo um mercado novo escolhemos o Aloe vera, por constituir uma planta com multiplas aplicações terapêuticas, não nos condicionando a um só efeito. Existem plantas com usos direccionados a uma única aplicação e foi interessante analisar que esta apresentava um potencial terapêutico muito variado.

Offarm – Sentem que pode constituir um estímulo pesquisar na área da fitoterapia?

 

R.- Quem segue um curso de Farmácia, à partida, tem na sua estrutura uma especial apetência para a investigação e sendo a fitoterapia uma área a que se tem dado nos últimos anos especial atenção, constitui sem duvida um grande estímulo.

 

Offarm –  Que importância atribuem a este prémio?

 
R.- È bastante importante, e mantemos a opinião que existe um défice de iniciativas deste genero que incitem os alunos a procurar saber mais, em termos bibliográficos sobre variadas áreas, como complemento à investigação laboratorial.
E aconcelhamos vivamente que participem neste programa, porque foi uma experiência enriquecedora.

 

Entrevista 2º Prémio
Ana Quevedo, Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.
14:20 min
Offarm –  O que é que a motivou a concorrer ao Prémio Natiris?

 


R.-
Sempre tive um gosto especial pela medicina natural e uma experiência na área da fitoterapia era uma ideia interessante, aliada ao facto de se poder escolher a planta. È sempre gratificante pesquisar numa área diferente, até porque não temos nenhuma cadeira de fitoterapia no currículo, muito embora tenhamos Farmacognosia, que estuda a estrutura química das plantas em termos farmacológicos, identificando os seus compostos e suas características.

 

Offarm – Porque é que desenvolveu o seu tema baseada nos efeitos do « Rhamanus purshiana»?

 

R.- Constituía um importante estímulo fazer uma abordagem química e farmacológica de uma planta que induz o aparelho intestinal a trabalhar de forma mais eficaz, face à preocupação crescente com a imagem física a que está associado o bom funcionamento do mesmo. Em segundo lugar, toda a criatividade que se impõe quando se faz história de um composto natural obtido por síntese que não suscita no organismo efeitos secundários problemáticos, com a resalva de que os abusos são perniciosos. Nós sabemos que os produtos fitoterapêuticos não são totalmente inócuos.

 

Offarm – Que tipo de apoio teve para a prossecução da pesquiza?

 

R- Essencialmente via internet, mas a professora da cadeira de Farmacognosia foi um importante contributo para a apreensão de determinados conceitos.

 

Offarm – Que valor atribui a este prémio?

 

R- A importância passa sempre pelo reconhecimento do nosso trabalho, mas neste caso sublinho o interesse que estas áreas suscitam nos alunos que gostam de pesquisar.
É muito muito importante que se criem mais iniciativas neste âmbito.

 

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